Mês da Bíblia: “Pregue o Evangelho, se necessário, use palavras

Frei Augusto Luiz Gabriel, OFM

Setembro chegou e todos nós sabemos que é o mês dedicado a Bíblia! Sabemos também que há mais de 800 anos a Palavra de Deus iluminou a vida e a experiência de São Francisco de Assis. Deus é para ele realidade. Sua teologia é essencialmente diálogo terno, ardente, chama que brota de seu coração. É partir desse ângulo que se deve entender o modo como Francisco se posicionou diante da Sagrada Escritura.

Deste modo, escreve seu biógrafo, Tomás de Celano:

“Embora não tenha tido nenhum estudo, o santo aprendeu a sabedoria do alto, que vem de Deus, e iluminado pelos fulgores da luz eterna, não era pouco o que entendia das Sagradas Escrituras. Sua inteligência purificada penetrava os segredos dos mistérios, e, onde ficava fora a ciência dos mestres, entrava seu afeto cheio de amor. Lia, às vezes, os livros sagrados, e o que punha uma vez na cabeça ficava indelevelmente gravado em seu coração. Usava a memória no lugar dos livros, porque não perdia o que ouvia uma vez só, pois ficava refletindo com amor em continua devoção” (2 Cel 102).

Assim, Francisco aprendeu de Deus a sabedoria celeste. Ele teve um conhecimento sapiencial da Sagrada escritura fruto de intensa vida de oração e de união com Deus. Por isso, ele tinha condições de explicá-la e, como bem observa seu biógrafo, com uma só frase explicava e resolvia questões discutidas, demonstrando sempre “grande inteligência e profunda penetração” (2Cel 102).

Neste sentido, Dom Mario de Gasperín, hoje bispo emérito de Querétaro (México), viveu o Concílio Vaticano II como sacerdote recém-ordenado e como estudante de Bíblia na Universidade Gregoriana de Roma, ele que ao longo da sua vida sacerdotal e episcopal foi um constante incentivador do estudo da Palavra de Deus, e uma das mentes mais brilhantes da
Conferência Episcopal Mexicana, apresenta de maneira didática dez mandamentos para ler a Bíblia:

1. Nunca achar que somos os primeiros que leram a Santa Escritura. Muitos, muitíssimos, através dos séculos, a leram, meditaram, viveram e transmitiram. Os melhores intérpretes da Bíblia são os santos.

2. A Escritura é o livro da comunidade eclesial. Nossa leitura, ainda que seja em solidão, jamais poderá ser solitária. Para lê-la com proveito, é preciso inserir-se na grande corrente eclesial que é conduzida e guiada pelo Espírito Santo.

3. A Bíblia é “Alguém”. Por isso, é lida e celebrada ao mesmo tempo. A melhor leitura da Bíblia é a que se faz na Liturgia.

4. O centro da Sagrada Escritura é Cristo; por isso, tudo deve ser lido sob o olhar de Cristo e buscando n’Ele seu cumprimento. Cristo é a chave interpretativa da Sagrada Escritura.

5. Nunca esquecer de que na Bíblia encontramos fatos e frases, obras e palavras intimamente unidos uns aos outros; as palavras anunciam e iluminam os fatos, e os fatos realizam e confirmam as palavras.

6. Uma maneira prática e proveitosa de ler a Escritura é começar com os Santos Evangelhos, continuar com os Atos dos Apóstolos e Cartas e ir misturando com algum livro do Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Juízes, Samuel etc. Não querer ler o livro do Levítico de uma só vez, por exemplo. Os Salmos devem ser o livro de oração dos grupos bíblicos. Os profetas são a “alma” do Antigo Testamento: é preciso dedicar-lhes um estudo especial.

7. A Bíblia é conquistada como a cidade de Jericó: “dando voltas”. Por isso, é bom ler os lugares paralelos. É um método interessante e muito proveitoso. Um texto esclarece o outro, segundo o que diz Santo Agostinho: “O Antigo Testamento fica patente no Novo e o Novo está latente no Antigo”.

8. A Bíblia deve ser lida e meditada com o mesmo espírito com que foi escrita. O Espírito Santo é o seu principal autor e intérprete. É preciso invocá-lo sempre antes de começar a lê-la e, no final, agradecer-lhe.

9. A Santa Bíblia nunca deve ser utilizada para criticar e condenar os demais.

10. Todo texto bíblico tem um contexto histórico em que se originou e um contexto literário em que foi escrito. Um texto bíblico, fora do sue contexto histórico e literário, é um pretexto para manipular a Palavra de Deus. Isso é tomar o nome de Deus em vão.

Paz e Bem.

Fraternalmente,

Frei Augusto Luiz Gabriel, com informações do Portal Franciscanos e
Dicionário Franciscano – Editora Vozes, Petrópolis, 1999.

Fonte: http://conexaofraterna.com.br/2019/09/02/mes-da-biblia-pregue-o-evangelho-se-necessario-use-palavras/

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