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“Mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”

Por| Edilson de Carvalho

Sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: Esta, importa ao Povo de Deus. E o meu povo. O “meu povo”, esse mesmo, aquele lá dos livros do Pentateuco, aqueles lá, também, do novo testamento, sabe? “O meu povo”? Sim! Os pobres, lá das comunidades de base, lá das comunidades rurais, lá das periferias, os marginais, os pecadores, os excluídos, os de pouca leitura ou quase nenhuma, muitos sem estudo algum. Onde Deus escolheu fazer a sua Tenda e Jesus também escolheu fazer a dele. Lá no curral em algum lugar, é esses mesmos, negros, prostitutas, homossexuais, os que viviam no deserto, às margens, fugindo como imigrantes, sendo escravizados, onde construíram suas tendas. Sabe, né?

Você está colaborando com um debate sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica. Debate que só diz respeito à elite erudita, porque “o meu povo”, aquele que vai à missa todo domingo, que dá R$ 2,00 na coleta e por isso, muitas vezes deixa faltar o pão do café da manhã. Aquele que dá o dizimo, fazendo falta no valor de uma medicação. Estes, sim, merecem o respeito. Não este infundado discurso de ódio, de rompimento e cheios de preconceitos. Um fundamentalismo longe da Sagrada Escritura. Fundamentados no ego do poder. Fundamentalismo dos doutores da lei, dos fariseus, dos sacerdotes. Aqueles mesmos que condenaram Jesus, os defensores do Templo, mas esquecidos da Casa de Deus. Condenaram só porque Ele, Jesus, se colocou ao lado dos que eram pecadores, dos que não conseguiam seguir as leis à forma deles, dos cochos, dos cegos, dos pobres e oprimidos. Aquele Jesus, é , aquele que foi crucificado, porque ficou ao lado dos que não tinham vida e “vida em abundância”, dada seu empobrecimento excludente. Este Jesus, jantou na casa dos pecadores, e bebeu com eles. Mais ousado: acolheu a prostituta. É deste Jesus e deste povo que trata a Campanha da Fraternidade.

A elite erudita, mimada, sem fundamentos, não entende esse Deus, nem mesmo esse Jesus. Este Deus e Jesus que fizeram suas Tendas no meio dessa gente, destes pecadores. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos… para curar os corações feridos” (Lc 4,18ss). Não entende o ministério de Jesus, já profetizado por Isaías (cf. Is 61,1ss). Essa elite está ensimesmada no ego. Um ego que se acha erudito, mas não passa de fundamentalista, cheio das leis, de egoísmo, rancor no coração. São vocês, os de espírito acusador. Fiquem espertos! Porque Jesus não gosta de pessoas que confundem os seus pequeninos. “E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como as criancinhas, esse é o maior no Reino dos Céus.” (Mt 18,3-4). E Jesus continua: “E qualquer que receber em meu nome uma criança, tal como esta, a mim me recebe. Mas, qualquer um que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de um moinho, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque eles são inevitáveis, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” (Mt 18,5-7).

Por Karina Moreti

Jornalista, musicista e animadora litúrgica da diocese de Lins-SP.

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