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A chacota, a heresia e um presidente

Por Hermes de Abreu Fernandes

Fica cada dia mais difícil entender o povo brasileiro. Quando o povo decidiu eleger Bolsonaro, fiquei perplexo. Ignorar as várias aparições deste na mídia e seus escandalosos discursos, é ininteligível. Misoginia a ponto de dizer que não estupraria uma mulher por considerá-la feia. Manifestar declarado discurso de ódio aos homossexuais. Dizer que seus filhos não se relacionariam com uma mulher negra por terem recebido boa formação. Como uma latrina a expelir o que há de pior no comportamento humano, assim foram os muitos pronunciamentos de Jair Bolsonaro antes de se tornar presidente. Em uma sociedade, na qual, 70% de sua população se enquadra em alguma minoria passiva de exclusão e preconceito, este arauto da opressão institucionalizada não recebeu rejeição. Elegeram-no.

Passados dois anos de seu governo, vemos a desesperança aflorar nos corações dos mais pródigos de fé. O Covid-19 matou mais de 390 mil até a presente data. Da parte do presidente temos uma coletânea de impropriedades. Discurso negacionista. Seu descaso pelo luto chega a ser gritante. O “e daí” ficará na memória e nos corações do povo brasileiro. Disse que o sofrimento de quem perdeu seus entes queridos e dos que seguem na luta contra esta nefasta doença é coisa de maricas. Mais uma prova de sua total alienação a sentimentos como empatia, solidariedade, humanidade. Este homem não parece humano. Perdoem-me o pleonasmo. Só assim pode-se expressar total vazio de virtudes em alguém.

Não quero aqui lembrar a suspeita constante de sua família em escândalos financeiros. Nem mesmo sua declarada tentativa em manipular as forças investigativas para suprimir efetivas investigações. Só vale lembrar que o discurso e a promessa dele era o inverso. Elegeu-se promovendo ódio ao Partido dos Trabalhadores. Insistia em trazer uma nova ordem moral para a política brasileira. Nada disso estamos vendo. O que vemos é um manipulador das massas. Um ídolo fabricado para cegar os homens e mulheres carentes de esperança. O Bolsonaro-Mito é o Moloch que devora seus filhos. Enquanto a “Roma-Brasilis” queima, nosso Nero pede mais vinho e mais liras a embalar seu governo psicopata. Cadáveres aos montes, fome aos píncaros e seu batalhão trajando verde amarelo continua esperando que seu messias venha operar o milagroso governo para as famílias tradicionais, para os cidadãos de bem, os bem-nascidos. Não veem o óbvio: este presidente da república é uma farsa como o mágico de Oz. Uma farsa que planta falsas esperanças, enquanto as bruxas continuam a assombrar esvoaçantes sobre nossas cabeças.

Mais: brinda-nos com sua heresia.

Comparar Jesus ao Partido dos Trabalhadores é o fim. A gota d’água que faltava para transbordar o copo de nossa inércia. Foi acolhido por muitas religiões. Apoiado por estas. Não nos sai da memória as várias aparições dele recebendo bençãos e apoio de líderes religiosos. Que fazer agora? Aceitar esta heresia, ou – finalmente – reconhecer o erro cometido? Bolsonaro não se mostrou desconhecedor de teologia ou hermenêutica. A ignorância é passiva de perdão. Ele brinca com o mais caro de nossa fé: a Pessoa de Jesus, nosso Salvador. Verdadeiro e único Messias. Já não basta de cegueira? É o fim da relação entre cristãos e Bolsonaro. Quem discorda, deve se rever como crente, como cristão.

A heresia de Bolsonaro é o claro sinal de que foram enganados. Ou mesmo, se deixaram enganar. Não! Ele não é quem pensaram ser. Não é um homem de fé, associado aos projetos concomitantes com a Palavra de Deus. Ao contrário, usa da própria pessoa de Jesus para justificar sua jornada de plantio de mortes. Se antes poderíamos elencar suas várias faltas em nível de diplomacia, incompetência administrativa. educação no trato com o outro, respeito às minorias; hoje recebemos ao peito a adaga mortal: desrespeitou Jesus. Usou de sua mensagem para atacar seu inimigo obsessivo: o Partido dos Trabalhadores. Sim, obsessivo. Enquanto milhares morrem nos hospitais pela falência do sistema de saúde, sua única ocupação é atacar o Partido dos Trabalhadores.

Enquanto isso, mais um record de óbitos. Em vez de usar de Jesus para atacar seus desafetos, Bolsonaro deveria renunciar a tanto ódio e clamar por Ele para salvar nosso povo. Seria demais esperar isso do presidente. A fé é própria dos humanos. Como disse acima, Bolsonaro é ausente de humanidade.

Fonte: https://ocaminheirodoreino.com/

Por Karina Moreti

Jornalista, musicista e animadora litúrgica da diocese de Lins-SP.

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